“Preciso de um tempo”

Cansei de ouvir isso… Logo eu que nunca me entendi com o tempo. Talvez por ele sempre ter me tratado de um jeito esquisito. Se me olho no espelho, por exemplo, o tempo está disfarçado. Muitos dizem que aparento ser muito mais jovem do sou de fato. E acho que comprei a idéia.

Tenho atitudes ridiculamente infantis ao mesmo tempo que me esforço para transparecer maturidade. Discuto a linguagem do cinema moderno à tarde, e à noite explodo uma travessa de vidro brincando na cozinha. Palestro sobre a revolução social gerada com a popularização da internet e, dias depois, bêbado, mando um sms para quem não queria falando o que não devia. Ok, talvez na infância ninguém brinque na cozinha ou beba álcool, mas você me entendeu.

Até que em um momento inexplicável de crise, pronuncio (ou escuto) a frase: preciso de um tempo, um tempo pra mim. Para quê? Pensar? Em quê? No que deveria fazer?

Pensar leva tempo, fazer não. Quando é preciso parar para pensar é porque nada está sendo feito. Os mesmos erros estão sendo cometidos, o apego a coisas menores se mantém e o nado continua sendo feito contra a maré. É preciso relaxar e esperar a água acalmar para poder ver o que ela reflete.

Enquanto escrevo estas linhas, percebo que ao me apoiar em alguém meu equilibro é sempre perdido. É difícil ter controle sobre mim, e sobre o outro é impossível. Pois não importa o quanto eu sonhe com o que era ou com o que poderia ser, nunca sairá de acordo com o meu plano. Não que ele seja mal feito — acho até que deveria ser seguido sem questionamentos —, mas as pessoas, assim como o tempo, têm vontade própria. E muitas vezes contra a sua.

Quando tomamos controle do nosso próprio tempo, tudo realmente fica mais claro. Vemos o que queremos e o que podemos conseguir. Revisamos nosso plano e identificamos suas falhas e suas lacunas. E em quais dessas lacunas a outra pessoa se encaixa ou não.

Era a pessoa que eu queria — ela disse —, mas a vida que eu não queria — concluiu. Minha amiga, falando de si, fez com que eu percebesse onde estava errando. Meu apoio estava deslocado, tocando alguém que insistia em se esquivar.

É hora de andar novamente para o lado que escolhi. E perceber que um tempo pode ser útil, desde que seja para fazer o que quero fazer.

Afinal, para fazer sempre há tempo.

A curta vida de um amor de Twitter

Eu a conheci no Twitter. Linda, mesmo em 48 pixels quadrados. Tuites inteligentes, gostos parecidos, bio curiosa… Logo nos tornamos tudo o que a distância de seis estados nos permitia: melhores amigos. Aguardamos a hora certa para nos conhecermos e, sob a noite na Lapa, nos vimos apaixonados. Planos de vivermos juntos vieram no mesmo instante e, após seguir à risca o planejamento, deixei minha terra natal para trás e segui meu coração. Porém, nosso namoro “baleiou”.

Fui traído pela vida online. O palco do nosso encontro havia se transformado numa zona de guerra. Tuites irônicos, e-mails anônimos, estranhos adicionados ao Facebook, tudo era motivo para desencadear crises de ciúmes e debates intermináveis sobre a relação. Meus avatares se revelaram crápulas da pior estirpe e, assim, perdi merecidamente a confiança e o carinho da mulher que mais mexeu com a minha vida.

Logo percebi que acabar um namoro na era das redes sociais não é nada simples. Ações clássicas como apagar o telefone da respectiva da agenda, evitar locais onde sua presença é mais comum, mudar a disposição dos móveis da casa, devolver objetos que outrora caracterizariam uma união estável e tomar um porre não são suficientes. Afinal, não importa o quão maduro você acredite ser, o masoquismo sempre prevalece.

Como resistir ao instinto voyer se a vida de sua namorada (ex, ex, EX) estava ali escancarada para quem quisesse ver? Twitter, Facebook, Orkut, Twitpic, todos eles gritando possíveis respostas para as maiores angústias de quem ainda não perdeu o vínculo.

Será que ela está bem? Será que sente minha falta? E a família? Será que aprovaram a separação? Será que no fundo não iam com a minha cara? E os amigos? Já começaram a sair com ela para baladas? Será que já a apresentaram a alguém? Será que ela já está com esse alguém? Esteve? Ou pretende estar? Será que tem volta? Será… Espera aí… Quem é esse filho da puta que está soltando gracinhas no Twitter?

Além disso, informações inesperadas surgem e me deixam sem ação. O que me era dito de primeira mão havia passado a ser exposto para inúmeros seguidores que talvez não dessem a devida importância aos fatos. Como aqueles “robôs” não notavam o peso daquilo na vida dela? E como ela estava expondo coisas tão importantes à um enorme números de desconhecidos? Por que ela não extrapolava logo os limites do bom senso e montava um blog chamado Autocrítica para falar de si mesma?

Dizer tchau sempre será doloroso. Não dá para ignorar alguém que foi o mundo para mim. As namoradas que tive ajudaram a moldar o homem que sou hoje compartilhando dos seus medos, expectativas e prazeres. Talvez elas discordem uma da outra, ou ponham inconscientemente a culpa na anterior pelo péssimo trabalho realizado. Mas agora só me resta agradecer pelos bons momentos e desejar sua felicidade. Fuçar sua vida online não trará nada além de dor.

A vida offline deve ter coisas boas a oferecer… Certo?

Aquecendo a garganta e os tendões

Eu preciso escrever. Tanto quanto preciso diariamente de um picolé de limão de sobremesa. Eu simplesmente preciso.

E sempre alimentei essa minha necessidade de formas variadas. Já tive outro blog, mas o matei de fome. Já dissertei sobre as questões mais irrelevantes da comunicação social, que ninguém leu. Já escrevi cartas eletrônicas e analógicas para começar e terminar namoros. Em suma, sou um canalha letrado.

E de tanto rabiscar as paredes internas do meu juízo percebi que precisava transformar isso em bytes. Porém, lembro que minhas palavras sempre me transformaram em alvo de mim mesmo. Afinal, não sou digno de confiança se não gosto de Beatles, não sou um bom sujeito por não torcer para nenhum time e eu devo ser realmente muito infeliz por não acreditar em deus algum. Mas não posso críticá-los. Também adoro ter opinião sobre aquilo que desconheço.

Logo, resolvi pular etapas. Falarei eu mesmo sobre mim mesmo! Talvez alguém se identifique com minha visão distorcida do mundo, ou apenas ignore o fato de eu ser mais um blogueiro egocêntrico dentre tantos outros. Mas, desconhecendo a existência da autocrítica em muitos dos meus semelhantes, exercitarei meu “umbiguismo” com todo o direito que a internet finge em me dar.

🙂