A curta vida de um amor de Twitter

Eu a conheci no Twitter. Linda, mesmo em 48 pixels quadrados. Tuites inteligentes, gostos parecidos, bio curiosa… Logo nos tornamos tudo o que a distância de seis estados nos permitia: melhores amigos. Aguardamos a hora certa para nos conhecermos e, sob a noite na Lapa, nos vimos apaixonados. Planos de vivermos juntos vieram no mesmo instante e, após seguir à risca o planejamento, deixei minha terra natal para trás e segui meu coração. Porém, nosso namoro “baleiou”.

Fui traído pela vida online. O palco do nosso encontro havia se transformado numa zona de guerra. Tuites irônicos, e-mails anônimos, estranhos adicionados ao Facebook, tudo era motivo para desencadear crises de ciúmes e debates intermináveis sobre a relação. Meus avatares se revelaram crápulas da pior estirpe e, assim, perdi merecidamente a confiança e o carinho da mulher que mais mexeu com a minha vida.

Logo percebi que acabar um namoro na era das redes sociais não é nada simples. Ações clássicas como apagar o telefone da respectiva da agenda, evitar locais onde sua presença é mais comum, mudar a disposição dos móveis da casa, devolver objetos que outrora caracterizariam uma união estável e tomar um porre não são suficientes. Afinal, não importa o quão maduro você acredite ser, o masoquismo sempre prevalece.

Como resistir ao instinto voyer se a vida de sua namorada (ex, ex, EX) estava ali escancarada para quem quisesse ver? Twitter, Facebook, Orkut, Twitpic, todos eles gritando possíveis respostas para as maiores angústias de quem ainda não perdeu o vínculo.

Será que ela está bem? Será que sente minha falta? E a família? Será que aprovaram a separação? Será que no fundo não iam com a minha cara? E os amigos? Já começaram a sair com ela para baladas? Será que já a apresentaram a alguém? Será que ela já está com esse alguém? Esteve? Ou pretende estar? Será que tem volta? Será… Espera aí… Quem é esse filho da puta que está soltando gracinhas no Twitter?

Além disso, informações inesperadas surgem e me deixam sem ação. O que me era dito de primeira mão havia passado a ser exposto para inúmeros seguidores que talvez não dessem a devida importância aos fatos. Como aqueles “robôs” não notavam o peso daquilo na vida dela? E como ela estava expondo coisas tão importantes à um enorme números de desconhecidos? Por que ela não extrapolava logo os limites do bom senso e montava um blog chamado Autocrítica para falar de si mesma?

Dizer tchau sempre será doloroso. Não dá para ignorar alguém que foi o mundo para mim. As namoradas que tive ajudaram a moldar o homem que sou hoje compartilhando dos seus medos, expectativas e prazeres. Talvez elas discordem uma da outra, ou ponham inconscientemente a culpa na anterior pelo péssimo trabalho realizado. Mas agora só me resta agradecer pelos bons momentos e desejar sua felicidade. Fuçar sua vida online não trará nada além de dor.

A vida offline deve ter coisas boas a oferecer… Certo?

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7 comentários sobre “A curta vida de um amor de Twitter

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