Agora só ano que vem

Reveillon em Fortaleza

Juro que tentei escrever pelo menos mais um post antes do ano acabar, mas não deu.

Ficaram vários rascunhos, mas nenhum concluído. Mas não importa. Você provavelmente só lerá este texto, inclusive, depois das festas.

Sendo assim, desejo o melhor ano de todos para você. Espero que volte em breve para ler minhas maluquices. Como vou viajar para Fortaleza, provavelmente só voltarei a escrever depois do Reveillon.

Logo, nos vemos em 2011! Grande abraço =D

Reveillon Rio de Janeiro (dessa vez não)

Ah! E como conto nos dedos meus posts e as pessoas que participaram nos comentários, gostaria de agradecer a cada uma delas.

Um grande abraço para Kamilla, Augusto, Marília, Bianca, Roney do Meme de Carbono, Rita, Elane d‘A Engenhoca, Mariana, S.,  Gabi e Glacial.

Até breve!

Anúncios

Lidando com o fracasso

Este ano foi de grandes conquistas e de fracassos catastróficos para mim. Destes, dois me marcaram: falhei como administrador de empresa e como namorado. Em ambos os casos minhas espectativas estavam lá no alto. Talvez por isso não tenha me preparado para tamanha queda.

Lembro da sensação, há 4 anos, de ter descoberto a solução para todos os meus problemas. Minha última escolha profissional havia se mostrado um fiasco e a frustração com o mercado era imensa, mas tinha ao meu lado gente competente que partilhava do meu desejo empreendedor. Era o momento perfeito e não poderia deixá-lo escapar.

Também lembro da sensação, há menos de 2 anos, de ter encontrado alguém tão surpreendente que justificaria qualquer loucura. A amizade virtual havia se transformado em amor real e meu mundo tinha sido balançado. Ela era perfeita, e eu não poderia deixá-la escapar.

Reuniões e mais reuniões com os futuros sócios se sucederam. S. usaria sua habilidade com as palavras para lidar com os clientes, R. seu vasto conhecimento tecnológico, M. faria o trabalho administrativo para manter a empresa nos trilhos e eu o trabalho criativo. Perfeito! Mas não demorou para os primeiros problemas aparecerem.

Viagens e mais viagens para nos encontrarmos se sucederam. Fazíamos malabarismos financeiros para isso, mas cada minuto junto fazia tudo valer à pena. A distância era ruim, mas mantínhamos o foco no futuro que havíamos planejado e que tanto merecíamos. Não era perfeito, mas estava prestes a ser. Mas também não demorou para certos problemas aparecerem.

Alguns sócios perceberam que não era aquilo que queriam da vida. E não há argumento algum contra isso. Mas eu e M. tínhamos sinergia o suficiente para enfrentarmos os desafios e fazermos um bom trabalho. Éramos empresários de primeira viagem e toda novidade era instigante, mesmo que nos fizesse perder noites de sono e prejudicasse nossa vida social (e pessoal).

Algumas pessoas resolveram que nós não deveríamos ficar juntos e tentaram nos sabotar. E não há como argumentar com quem sequer assina os e-mails que envia. Nunca havíamos namorado à distância e era tudo mais difícil do que pensávamos. Queríamos ficar perto e em certos momentos atéprecisávamos estar perto, mas nem sempre era possível. Assim, passávamos mais noites em claro pensando no que nos aguardava. Daria tudo certo ou já tínhamos nos prejudicado demais?

Então, pequenos problemas se mostraram não tão pequenos assim. Aquilo que não era resolvido, disfarçava-se nos custos variáveis e no inconsciente, esperando a hora imprópria de vir à tona como a ameaça que sempre havia sido de fato. E se quando menores já não tinham uma solução fácil, agora eram praticamente impossíveis de serem resolvidos. Eram precisos recursos e muita disposição de todas as partes para recuperarmos o fôlego, mas não deu.

Falhei. Falhamos. E agora me entrego aos clichês para explicar o inexplicável. Foi bom enquanto durou. Melhor me arrepender do que fiz do que o que não fiz. Uma hora isso passa.

Eu sei que passa. Mas depois que passa, o que fica? A experiência? Ou a vontade de fazer tudo de novo? Acho que eu faria tudo de novo. Mas errando menos da próxima vez. E você?

Uma história de carnaval

Vou amenizar um pouco o clima normalmente meio depressivo deste blog. Não se acostumem, pois acho que escrevo melhor triste. Mas como eu quero MUITO ganhar um iPad na promoção d´O Livreiro, peço que leia o texto abaixo e cadastre-se na promoção através deste link para concorrer você também a esse prêmio. Ah, mais uma coisa. A história é verídica. Juro! 90%, pelo menos.

Atualização: Perdi =(

Uma história de carnaval

P. sempre foi meu amigo mais criativo. Mas num carnaval na praia de Morro Branco/CE ele se superou.

Éramos 20 amigos hospedados na mesma casa. Depois de todos terem voltado da festa à noite, notamos que apenas ele ainda não tinha voltado. Esperamos por cerca de uma hora até que a criatura chegou: branco como um fantasma e só de cueca.

— O que houve, cara? — Perguntamos, apreensivos.
— Fui assaltado!
— Aqui perto? Como assim? Vamos atrás desse cara! Somos 20, ele não vai ter chance.

Fomos todos “cheios de marra” atrás do tal ladrão. Até que, no caminho pela areia da praia, P. parou, temeroso. Tentou se esconder atrás da gente enquanto sussurrava, amedrontado:

— Ali, ali! Ali está ele! O infeliz que me assaltou.
— Onde, seu maluco? Não tem ninguém na nossa frente.
— VOCÊS NÃO ESTÃO VENDO? ELE ESTÁ ALI! É AQUELE GRANDÃO DE DREADS!

Um coqueiro. O grandão de dreadlocks era um coqueiro. Como descobrimos? Todos as coisas de P. estavam perto do tronco da árvore. Celular, carteira, camiseta e bermuda.

No dia seguinte, ansiávamos por uma explicação para aquilo. Ele bem que tentou:

— Estava voltando pra casa feliz e contente e trombei com o cara. Ele ficou paradão me encarando e entendi que era um assalto. Entreguei celular, ele quis mais. Carteira, ele quis mais. Comecei a entregar a roupa, né. Mas na hora da cueca, não pensei duas vezes e meti o pé!

Valeu, espertão.

Ciúmes versus Amor

Ódio, vingança, rancor, inveja, nada disso me incomoda. Mas ciúmes sim. Pois é o único sentimento imune a qualquer lógica — seguido de perto pelo amor, talvez.

Raiva é reação natural a uma agressão. Vingança, vontade de fazer alguém sentir o mesmo que provocou a você. Inveja, insegurança pessoal ou fruto de uma competição já existente etc.

O que importa é que é possível discutir cada uma delas e outras sensações com quem as sente. Logo, há argumentos e certas atitudes capazes de amenizar essa explosão de sentimentos (prometo nunca mais citar Luan Santana na vida) de outra pessoa e fazer com que ela perceba se há ou não exagero em sua reação.

Mas contra o ciúme não há nada. Pois não importa quanta segurança você transmita, em algum momento sua guarda baixa e ele se infiltra. Nessa hora, o argumento mais lógico não faz o menor sentido ao enciumado: tratar mal por medo de perder só irá garantir que isso aconteça.

Parece lógico, concorda? Sendo o ciúme o medo da perda, as ações seguintes deveriam tentar evitar que isso aconteça. Em vez disso, metemos os pés pelas mãos na euforia do momento e quando vemos estamos fazendo mal a quem amamos.

E já que não é possível impedir seu avanço com a lógica, vou tentar encontrar razões para senti-lo. Mas, como sempre, falarei exclusivamente da minha visão leiga e dispensável sobre o assunto. Afinal, o sentimento de posse que acompanha o amor romântico pode ser cientificamente explicado por Regina Navarro com uma competência que eu jamais teria.

Dito isso, afirmo que não sou ciumento, mas tive e tenho meus momentos. Também já tive pelo menos dois namoros envenenados pelos ciúmes. Somando tudo isso e o benefício da “distância” de tais acontecimentos, percebi um padrão que me foi particular.

Quem desconfia quer confiar, e, para isso, exige uma sinceridade excessiva do outro. Esse excesso não diz respeito ao volume de informação, mas à interpretação feita pelo enciumado. Afinal, a sinceridade exige receptividade. Deve-se estar preparado para ouvir coisas que quebrarão a idealização que normalmente fazemos de quem nos apaixonamos. Pode parecer absurdo que ela ou ele tenha defeitos, mas tem, e graves. E já que a paixão aquece o coração, mas se apaga rapidamente, nessa hora relacionamentos acabam por, aparentemente, perderem a graça.

Mas e o amor? É tão frágil assim? Eu sei que dizemos “eu te amo” meio que sem pensar, mas o exercício de amar deve ir além disso. É aceitar que nos relacionamos com seres humanos como a gente, que erram sem querer errar, fraquejam tentando ser fortes, exageram por problemas menores e tentam nos dar força mesmo sendo tão frágeis. É mais difícil do que deveria, mas vale a pena.

A entrega entre duas (ou mais) pessoas com esse nível de comprometimento, cria uma relação única e eterna. A sensação é de ter alguém que não o complete, pois isso é impossível, mas que o complemente. Alguém com quem você sempre estará à vontade e que poderá te ajudar nos momentos mais inesperados. Tenho em minha vida pessoas que trato assim. Dentre amigos, ex-namoradas e familiares estão algumas por quem eu faria tudo. Como se tivesse uma dívida que nunca pudesse ser paga.

E nesse nível de intimidade, não há espaço para ciúmes. Porque há a certeza de que vocês nunca se perderão. Podem se afastar, podem seguir outros caminhos, mas reencontros virão e mais do que coincidências parecerão.

Tampouco haverá espaço para mentiras, pois existirá um esforço para decifrar o que tentar dizer. Afinal, a ofensa não é esperada quando há cumplicidade.

Sei que parece exagero essa minha visão romântica. Talvez por ser, de fato. Mas muitos passam a vida inteira procurando a felicidade. A minha busca é só um pouco mais específica.

Pessoas não mudam?

Mulheres se relacionam na esperança do que o homem mude, e homens na esperança que a mulher não mude nunca. Já ouvi essa frase algumas vezes e ela me fez perceber quantas mulheres com a frase “ninguém muda nunca” na ponta da língua (ou dos dedos, se incluirmos o Twitter) existem por aí.

E observando as pessoas ao meu redor, além de, é claro, mim mesmo (o blog não tem esse nome à tôa), pensei: quando não se muda?

Relembrando momentos passados, vi minha persona trabalhando numa faculdade e administrando uma empresa ao mesmo tempo. Há quase 3 anos eu era, definitivamente, outra pessoa. Era visto como alguém visivelmente mau humorado e grosseiro em muitos momentos. Meus grandes amigos — exercendo suas habilidades para o cargo — relevavam minha falta de tato e até se divertiam com isso, de certa forma (eu espero). E agora, já distante de mim mesmo, consigo identificar coisas que alteravam meu humor e me influenciavam negativamente (vide próximos posts).

Adiantando um pouco as cenas dessa vida, vejo no que havia me transformado no ano seguinte, o pior e melhor ano da minha existência até então. Meu mau humor ganhou a companhia da arrogância e do desprezo por muitos ao meu redor. Mas apesar de não conseguir me ver como uma boa pessoa nessa época, conseguia alegrar um pouco um certo alguém e rapidamente mostrava um sorriso pensando no que o ano seguinte me reservara. Eu não era feliz, mas achava que estava bem perto de ser.

Hoje. Foram tantas mudanças que até agora creio não ter assimilado nem metade. Alguns planos deram muito certo, outros falharam vergonhosamente. Mas vejo que não sou nem de longe a mesma pessoa. Minha autocrítica não chega ao ponto de dizer se para melhor ou pior, mas de fato me sinto melhor.

Acredito que todo mundo mude o tempo inteiro por inúmeros motivos, conscientemente ou não. A morte de um parente, a mudança de cidade, o começo de um novo relacionamento, um filme marcante, uma piada fora de hora, uma conversa de bar, uma chuva imprevista, uma frase sussurrada… Somos produto de nós mesmos e de todos que nos cercam. Ou nos deixamos influenciar, ou estagnamos e viramos a vida desperdiçada de Jack.

Logo, faço minhas as palavras que S. (minha amiga do trabalho) disse recentemente: lendo meus textos antigos, não me reconheço neles. E espero não me reconhecer neste também numa próxima época.