Pessoas não mudam?

Mulheres se relacionam na esperança do que o homem mude, e homens na esperança que a mulher não mude nunca. Já ouvi essa frase algumas vezes e ela me fez perceber quantas mulheres com a frase “ninguém muda nunca” na ponta da língua (ou dos dedos, se incluirmos o Twitter) existem por aí.

E observando as pessoas ao meu redor, além de, é claro, mim mesmo (o blog não tem esse nome à tôa), pensei: quando não se muda?

Relembrando momentos passados, vi minha persona trabalhando numa faculdade e administrando uma empresa ao mesmo tempo. Há quase 3 anos eu era, definitivamente, outra pessoa. Era visto como alguém visivelmente mau humorado e grosseiro em muitos momentos. Meus grandes amigos — exercendo suas habilidades para o cargo — relevavam minha falta de tato e até se divertiam com isso, de certa forma (eu espero). E agora, já distante de mim mesmo, consigo identificar coisas que alteravam meu humor e me influenciavam negativamente (vide próximos posts).

Adiantando um pouco as cenas dessa vida, vejo no que havia me transformado no ano seguinte, o pior e melhor ano da minha existência até então. Meu mau humor ganhou a companhia da arrogância e do desprezo por muitos ao meu redor. Mas apesar de não conseguir me ver como uma boa pessoa nessa época, conseguia alegrar um pouco um certo alguém e rapidamente mostrava um sorriso pensando no que o ano seguinte me reservara. Eu não era feliz, mas achava que estava bem perto de ser.

Hoje. Foram tantas mudanças que até agora creio não ter assimilado nem metade. Alguns planos deram muito certo, outros falharam vergonhosamente. Mas vejo que não sou nem de longe a mesma pessoa. Minha autocrítica não chega ao ponto de dizer se para melhor ou pior, mas de fato me sinto melhor.

Acredito que todo mundo mude o tempo inteiro por inúmeros motivos, conscientemente ou não. A morte de um parente, a mudança de cidade, o começo de um novo relacionamento, um filme marcante, uma piada fora de hora, uma conversa de bar, uma chuva imprevista, uma frase sussurrada… Somos produto de nós mesmos e de todos que nos cercam. Ou nos deixamos influenciar, ou estagnamos e viramos a vida desperdiçada de Jack.

Logo, faço minhas as palavras que S. (minha amiga do trabalho) disse recentemente: lendo meus textos antigos, não me reconheço neles. E espero não me reconhecer neste também numa próxima época.

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Postado em Fim

8 comentários sobre “Pessoas não mudam?

  1. na verdade, às vezes me surpreendo como somos pessoas diferentes em um mesmo dia. várias facetas de você mesmo dependendo do ambiente em que se está.

    em casa a faceta filha correta, bagunceira e preocupada. no trabalho, tímida, interessada e distante. no cliente, convincente, centrada e inteligente. com amigos, outra faceta.

    e no fim do dia, você realmente sabe quem é o “você” que está olhando no espelho? agradando todo mundo, mas sem saber se agrada a si próprio?

    ainda bem que não sou esquizofrênica… ainda. XD

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  2. Rafael, nem vou descrever o caminho que me fez parar no seu blog. Até porque já o perdi. Parei nele e levei algum tempo lendo seus posts, pensando, tentando absorver das suas narrações um pouco de compreensão do que tem vivenciado nesse tempo de “cidade nova”. Bom, quanta coisa se passou desde a última vez que a gente se viu, hein? Viemos para o Rio na mesma época, por motivos diferentes, mas podia enxergar em você um ato de “libertação” (necessário) naquele momento – quase exatamente 1 ano atrás. Fortaleza parecia já não ter nenhum sentido no seu semblante cansado da mesmice cotidiana. O Rio representava a aposta, o ar novo (o amor?). E olha que a gente conversou pouquíssimo enquanto “colegas de trabalho”. Meu olhar atento, porém, não deixou de registrar essa imagem do seu momento de transição.
    Desde então, trocamos poucas palavras no msn no início deste ano e pronto. Silence… Hoje, com um salto de quase 1 ano, ler seu blog me fez ter noção do quanto nossas apostas podem nos transformar. Derrotas, tristezas, dúvidas, cegueira, ao mesmo tempo que levam ao subsolo da existência, colocam-nos em um ponto de vista diferenciado – talvez mais lúcido, mais “autocrítico” – para uma avaliação do tempo vivido. Ainda que tenha experimentado o lado escuro da aposta amorosa, fico feliz em saber que o cara “mal humorado e grosseiro” parece ter mudado e se bifurcado em outros não tão iguais assim. Como já diz uma máxima distorcida do meu velho orkut: “mudar é necessário”. Ou, em outras palavras, o rio flui.
    Não sei quando nos veremos, não tenho twitter e pouco entro no msn, mas ainda que esse blog tenha efeito “terapêutico” (não vejo nenhum mal nisso – escrever é uma catarse), andarei por aqui de quando em vez para saber dos seus desabafos.

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  3. Caro rafael, muito bom o texto, mas acho que você precisa fazer analise.
    Ja fez? é muito bom… as pessoas falam que precisam de um tempo porque não querem magoar dizendo a verdade.

    Um tempo é o mesmo que dizer, não quero mais você.

    Te entendo perfeitamente, ja sofri muito com isso…

    bjos!

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