Uma mulher singular

Algumas vezes somos pegos completamente desprevinidos e acabamos por conhecer alguém incrível de verdade. Não há como se preparar para esse momento, pois essas pessoas, além de raras, não são óbvias. Por mais que desconfiemos quando o resto do mundo começa a perder o foco quando as olhamos, não há como evitar de nos tornarmos reféns de seus encantos em poucos minutos de conversa.

E ela é assim. Sorriso fácil e extasiante, uma conversa inteligente cadenciada por uma voz suave, gostosa de ouvir, e um charme escancarado por seus grandes olhos. Era difícil não se apaixonar por ela. E por mais que eu tenha resistido, não poderia teimar por muito mais tempo.

Resistir parecia estúpido diante do inevitável arrebatamento — eu sei —, mas o problema de ser autocrítico é saber quais erros você é capaz de cometer. Logo, não poderia deixá-la cair nas mãos de um desastrado amoroso qualquer, mesmo esse sendo eu.

E quando, por um tropeço, deixei seu coração escapar por entre meus dedos, ela se mostrou única. Catou-o do chão, tirou a poeira, procurou por algum dano maior e me devolveu. Com um gesto, recuperou meu equilíbrio e me mostrou que posso ser alguém melhor. Melhor amigo, melhor namorado, melhor ser humano…

Ela, incrível, tratou-me como igual. E trouxe sentido novamente a um cotidiano sem forma. Tornei-me, por ela, uma nova pessoa, com uma enorme responsabilidade. A de tornar na mulher mais feliz do mundo aquela que me fez acreditar ser eu o melhor homem para isso.