Como deveria ter sido

Nós deveríamos ter nos conhecido antes, e nos apaixonado logo de cara, sem porém ou medo. Deveríamos ter dado início aos planos de ficarmos juntos nesse mesmo momento. E deveríamos tê-los cumprido.

Era para você, ou eu, termos feito as malas meses depois e comprado uma passagem só de ida. E assim que chegasse, aproveitaríamos cada minuto junto naquela ânsia gostosa de quem encontrou o que sempre quis.

Iríamos ao circo, ao cinema, ao teatro. Assistiríamos episódios seguidos de todas as séries da TV. Mostraríamos um ao outro nossos filmes preferidos de todos os tempos, nossos lugares mais bonitos de cada cidade. Passearíamos pelo Arpoador, Ipanema e Leblon, comeríamos comidas diferentes, riríamos um com o outro.

Encontraríamos novas formas de nos elogiarmos e de mostrar o quanto éramos especiais. O quanto sentíamos falta da gente e das minhas-tuas coisas. Descobriríamos o prazer de dividir tudo, da louça suja à alegria boba de encostar os pés frios. Viveríamos o que ansiávamos viver.

Mas não foi como deveria ter sido. Não foi, pois eu não era o que você merecia que eu fosse. Meu demônio interior que eu tentei embaraçosamente matar veio me mostrar o quanto eu fui fraco. Transformei nossa história em uma almofada de presente úmida de lágrimas.  Então, ouvi de novo tudo o que passei um ano querendo corrigir, mas ficando só na intenção. Incompetente que fui em amar quem só me quis bem.

Não vou sentir pena de mim mesmo e não vou elaborar desculpas para diminuir a gravidade da minha postura desrespeitosa. Não posso ser tão burro quanto pareço. Vou merecer quem tanto quero e serei, tardiamente ou não, o que eu deveria ter sido desde o princípio.

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Carta aberta ao amor seguinte

Caro amor seguinte.

Tendo em vista minhas últimas tentativas frustradas de fazer alguém feliz, sinto-me na obrigação de alertá-la sobre a pessoa que de fato sou. Veja bem, acredito que faça parte do jogo de sedução tentar parecer alguém melhor. Ambos fazemos isso. O problema é quando um de nós é convincente demais, ou trouxa demais.

Por isso, fica aqui o meu primeiro alerta: eu minto. Minto com uma cara de pau que você poucas vezes presenciará. Não que eu queira ou goste de mentir, mas eu preciso. Não posso deixar que descubra o covarde que sou de verdade. Não suportaria seu olhar de decepção ao perceber que não sou o que pareci ser. Prefiro ser eu o trouxa.

Também sou confuso e inconstante. Você será tratada como a mulher da minha vida num dia, mas no outro se sentirá um estorvo. Não por algo que você tenha feito ou dito, mas por eu estar com tanta coisa na cabeça que se envolvê-la nesse turbilhão nenhum dos dois sairá são. E eu espero que pelo menos um de nós mantenha o juízo.

Juízo para entender que ficarei calado quando brigarmos. Sim, tenho até uma boa desculpa científica para isso, mas o fato é que eu não sei falar. Fico nervoso, falo besteira, é terrível. Logo, dependendo da situação, você ganhará uma carta, um e-mail, ou um post com tudo o que queria dizer e o cromossomo Y me impediu na hora.

Além disso, preciso fazer jus ao nome deste blog e assumir: eu sei ser canalha. Já brinquei com os sentimentos de outras e carrego esse fardo até hoje comigo. Pois cometo erros, mas não sou mau caráter. Sou autocrítico o suficiente para viver em conflito com minha consciência mesmo sem sua “ajuda”.

Desculpe-me se fui grosseiro nesta carta. Mas hoje acredito que qualidades são obrigações, e defeitos são escolhas. Tratá-la como a mulher mais incrível a habitar este planeta é o mínimo que eu como seu amor devo fazer. Mas é você quem decide aguentar ou não os defeitos que vêm junto.

Sei que o amor deveria vir sem esforço, naturalmente. E esta saga pessoal registrada aqui está bem longe de parecer fácil. Mas finalmente acredito estar errado sobre isso. Eu só não queria cair nas mesmas armadilhas.

O que não ficou para trás

» Leia o prólogo antes, por favor.

Após algumas trocas de mensagens via Twitter, o inevitável ocorreu: precisávamos um do outro. Horas e horas de papo online logo me mostraram o quanto ela era muito mais interessante do que sua mini bio dizia. “Carioca, advogada, funkeira e flamenguista” era uma descrição tão rasa que soava quase absurda.

E de tanto nos falarmos, viramos os melhores amigos “virtuais” que poderíamos ter. Virtuais, pois como poderíamos nos sentir tão próximos de alguém que nunca havíamos tocado ou abraçado? Meio absurdo, mesmo hoje em dia, sentir saudades de quem só se mostrava em forma de bytes e pixels. Inexplicável, pensávamos, mas também era totalmente irresistível.

Trocávamos segredos, confissões e carinho. Sabíamos tudo um do outro, das maiores qualidades e alegrias às piores dores e defeitos. Até que transformamos um acontecimento ruim para mim numa ótima oportunidade para ambos. Finalmente iríamos sair do monitor e nos encontrarmos. 73 dias seria a primeira de tantas outras contagens regressivas.

Conheci no mesmo dia a cidade e a mulher maravilhosa. Nossa ligação foi tão forte que não conseguíamos tirar as mãos um do outro desde o primeiro abraço. No carro, dedos entrelaçados e palavras sussuradas de carinho durante todo o percurso até em casa. Eu me esforçava em dar atenção aos seus pais, que não continham a curiosidade a meu respeito, mas mal percebia que existia um mundo além daqueles olhos verdes.

Por dias fingimos ser apenas bons amigos. Queríamos ser discretos e até cautelosos enquanto ríamos da desconfiança de todos. “Como podem ser só amigos se estão sempre trocando carinho?” — sua mãe perguntava. Não éramos muito bons no disfarce, confesso.

Também fingi para mim mesmo que não estava apaixonado desde o aeroporto. Mas uma noite na Lapa destruiu qualquer resistência minha. “Se eu morasse no Rio, você namoraria comigo?” — perguntei. Ela disse que sim! Minha vida havia ganho um novo objetivo, e eu iria cumprí-lo a qualquer custo.

Sabíamos que namorar à distância não seria fácil, mas também sabíamos que o sacrifício tinha data para acabar. Prometi que em exatamente um ano estaríamos morando na mesma cidade. Até lá, tínhamos o mundo um do outro a explorar.

Abrimos nossas vidas para visita e nós mesmos seríamos os guias. Por um ano, fizemos malabarismos com nosso orçamento e tempo para nos vermos cerca de uma vez por mês. Assim, conhecíamos cada fragmento de nossa cidade natal e de nosso estilo de vida.

Ela, uma apaixonada por praias, se encantava com Porto das Dunas, Beach Park, Canoa Quebrada e Praia do Futuro. Eu, um deslumbrado pelo Rio, adorava conhecer seus vários cinemas, os bares e botequins sempre tão convidativos, os passeios de bicicleta na praia… Achava (acho) a vida no Rio muito charmosa e me sentia parte da vida dela a cada novo lugar que conhecíamos. O curioso é que acompanhando-a nos passeios, eu tentava ver minha cidade com outros olhos e descobri coisas que gostava e nem lembrava.

Assim, íamos percebendo que, apesar de difícil, existiam muitas coisas boas em um namoro à distância. Chego a suar frio só de lembrar o quanto ficava ansioso esperando ela sair pelo portão de desembarque do aeroporto. Cada reencontro nosso era uma sensação de euforia misturada com alívio que poucas vezes senti na vida. Alívio daquela pessoa existir e ser o mundo pra mim, e euforia por tudo que ainda faríamos juntos.

Quando o final do ano se aproximou, era hora de cumprir minha promessa: comprei minha passagem só de ida. Nunca vou esquecer do comentário dela no Twitter. “Hoje é o dia mais feliz da minha vida.” Já o meu, foi ser recebido de braços abertos por ela em sua cidade. Tudo aquilo que sonhei o ano inteiro finalmente estava prestes a acontecer.

Revivendo alguns momentos, lembro como era gostosa nossa convivência. Tão fácil, tão simples, tão próxima… Minha mãe até dizia admirar a ligação que a gente tinha. “Acho que nunca te vi tão à vontade com alguém.”

Mas ela tornava isso simples. A forma como me olhava de longe quando eu tentava me socializar com seus amigos, como sempre acertava tudo que eu gostava, como tinha paciência de me ajudar a comprar roupas recebendo as fotos por mms, como reduzíamos a distância que nos separava demonstrando carinho a todo momento, como me recebeu (e me aguentou) na casa de sua família enquanto eu procurava um lugar para mim, como me ajudou a comprar e organizar as primeiras coisas para o novo apartamento…

Não posso guardar mágoas de alguém assim. Quero essa boas lembranças para sempre. E quero ter outras histórias como essa para contar. Mudaria apenas o final.

O que não ficou para trás – Prólogo

Já viram post com prólogo? Eu não, mas achei que seria necessário nesse caso.

Não é exatamente um segredo que este blog surgiu em um momento de “fossa” pelo fim do meu último namoro. Como escrever sempre foi uma forma de expurgar meus dramas pessoais, acabei criando o Autocrítica com essa finalidade. Mas isso mudou um pouco à medida que mais textos foram sendo escritos.

Já há algum tempo, meus posts eram um exercício de escrita, mais do que uma catarse. Isso significa que exagerava certos aspectos para tornar a leitura mais interessante. Por favor, não estão dizendo que são falsos de forma alguma, pois todos sempre partiram de questões bastante particulares. Mas são parciais demais para serem levados ao pé da letra.

Digo isso porque creio que nunca precisei tanto voltar à proposta (e ao motivo) original quanto agora. Se você leu o post sobre as mulheres que amei deve ter estranhado o quão breve fui ao falar de N. Afinal, se ela mudou tanto a minha vida como eu disse, deveria ter escrito mais sobre ela, não é?

A verdade é que tanta mágoa e tantas lembranças ruins estão associadas ao nosso relacionamento que eu não conseguiria escrever mais do que aquilo sem deixar isso transparecer. Mas eu não tinha noção do quanto guardar sentimentos negativos em relação a alguém poderia influenciar na minha vida e na minha relação com outras pessoas.

Acho que eu não sabia o que era ter um trauma de verdade até hoje. E eu preciso lidar com esse trauma agora! Não posso associar tanta coisa ruim a alguém que há pouco tempo eu tratava como a mulher da minha vida.

E a primeira ação que pensei para resolver esse trauma foi escrever novamente sobre ela. Mas dessa vez, sem mágoas e sem tristeza. Quero me lembrar das coisas boas que sentia e via nela, e o quanto isso fazia eu me sentir em paz.

Assim, espero perder o medo de encontrá-la na cidade, o incômodo de ler referências a ela na internet, a dor de ainda associar coisas do meu cotidiano ao tempo que passamos juntos… Principalmente, quero perder o medo de continuar vivendo.

Torça por mim, por favor.

O que não ficou para trás »

Não consigo amar de novo

Sempre vi o amor como uma coisa muito bonita. É aquilo de que te faz feliz, tornando a vida leve e suportável. Ele une as pessoas, proporciona momentos inesquecíveis e todo mundo o deseja. Eu, inclusive.

Mas acho que esqueci como se ama. Lembro que era algo tão natural, simplesmente fluía. O amor fazia parte de mim e por mais que se escondesse às vezes, em pouco tempo reaparecia e me convencia de novo de que era melhor ser alegre que ser triste.

Meu Amor sumiu de novo, e não está muito disposto a voltar. Juro que não sei onde ele foi parar. Vai ver pulou da janela, hibernou no verão ou correu para muito longe e depois achou que seria uma boa idéia continuar correndo.

Desconfio que na verdade ele fugiu. Aquele covarde! Achou que seria fácil aumentar meus batimentos cardíacos, inundar meu cérebro de serotonina e abusar do Photoshop no mundo sem sofrer consequências? Ok, ok, eu entendo. Faria o mesmo.

Felizmente, ele teve um pingo de consideração antes de partir. Para não me deixar sem amparo, encarregou o Medo de me fazer companhia. Esse, um pouco desagradável, eu diria, mas bastante convincente. Grande fã de teorias conspiratórias, ele acredita que o Amor na verdade tinha planos infalíveis contra mim.

Odeio quando acho que ele está certo. E odeio mais ainda suas amizades. Esse Medo maldito vive encontrando a Solidão para tomar um chopp no meu juízo. Grande amigos que são, conversam besteira a noite inteira e criam cada idéia absurda que só rindo para não chorar.

Juntos, eles me convenceram de que eu sou nocivo. Que aparento ser carinhoso quando na verdade sou tão confuso que faria qualquer uma perto de mim sofrer. Também odeio quando ambos acertam.

Acho que sinto falta do Amor. Tivemos momentos bem difíceis juntos, mas até que era um cara agradável. Enquanto ele não volta, vou tentar aprender a lidar com essas minhas novas companhias.

Caro Amor. Se estiver lendo isso, favor voltar.
Sua presença se faz necessária com urgência.

Lidando com o fracasso

Este ano foi de grandes conquistas e de fracassos catastróficos para mim. Destes, dois me marcaram: falhei como administrador de empresa e como namorado. Em ambos os casos minhas espectativas estavam lá no alto. Talvez por isso não tenha me preparado para tamanha queda.

Lembro da sensação, há 4 anos, de ter descoberto a solução para todos os meus problemas. Minha última escolha profissional havia se mostrado um fiasco e a frustração com o mercado era imensa, mas tinha ao meu lado gente competente que partilhava do meu desejo empreendedor. Era o momento perfeito e não poderia deixá-lo escapar.

Também lembro da sensação, há menos de 2 anos, de ter encontrado alguém tão surpreendente que justificaria qualquer loucura. A amizade virtual havia se transformado em amor real e meu mundo tinha sido balançado. Ela era perfeita, e eu não poderia deixá-la escapar.

Reuniões e mais reuniões com os futuros sócios se sucederam. S. usaria sua habilidade com as palavras para lidar com os clientes, R. seu vasto conhecimento tecnológico, M. faria o trabalho administrativo para manter a empresa nos trilhos e eu o trabalho criativo. Perfeito! Mas não demorou para os primeiros problemas aparecerem.

Viagens e mais viagens para nos encontrarmos se sucederam. Fazíamos malabarismos financeiros para isso, mas cada minuto junto fazia tudo valer à pena. A distância era ruim, mas mantínhamos o foco no futuro que havíamos planejado e que tanto merecíamos. Não era perfeito, mas estava prestes a ser. Mas também não demorou para certos problemas aparecerem.

Alguns sócios perceberam que não era aquilo que queriam da vida. E não há argumento algum contra isso. Mas eu e M. tínhamos sinergia o suficiente para enfrentarmos os desafios e fazermos um bom trabalho. Éramos empresários de primeira viagem e toda novidade era instigante, mesmo que nos fizesse perder noites de sono e prejudicasse nossa vida social (e pessoal).

Algumas pessoas resolveram que nós não deveríamos ficar juntos e tentaram nos sabotar. E não há como argumentar com quem sequer assina os e-mails que envia. Nunca havíamos namorado à distância e era tudo mais difícil do que pensávamos. Queríamos ficar perto e em certos momentos atéprecisávamos estar perto, mas nem sempre era possível. Assim, passávamos mais noites em claro pensando no que nos aguardava. Daria tudo certo ou já tínhamos nos prejudicado demais?

Então, pequenos problemas se mostraram não tão pequenos assim. Aquilo que não era resolvido, disfarçava-se nos custos variáveis e no inconsciente, esperando a hora imprópria de vir à tona como a ameaça que sempre havia sido de fato. E se quando menores já não tinham uma solução fácil, agora eram praticamente impossíveis de serem resolvidos. Eram precisos recursos e muita disposição de todas as partes para recuperarmos o fôlego, mas não deu.

Falhei. Falhamos. E agora me entrego aos clichês para explicar o inexplicável. Foi bom enquanto durou. Melhor me arrepender do que fiz do que o que não fiz. Uma hora isso passa.

Eu sei que passa. Mas depois que passa, o que fica? A experiência? Ou a vontade de fazer tudo de novo? Acho que eu faria tudo de novo. Mas errando menos da próxima vez. E você?

Ciúmes versus Amor

Ódio, vingança, rancor, inveja, nada disso me incomoda. Mas ciúmes sim. Pois é o único sentimento imune a qualquer lógica — seguido de perto pelo amor, talvez.

Raiva é reação natural a uma agressão. Vingança, vontade de fazer alguém sentir o mesmo que provocou a você. Inveja, insegurança pessoal ou fruto de uma competição já existente etc.

O que importa é que é possível discutir cada uma delas e outras sensações com quem as sente. Logo, há argumentos e certas atitudes capazes de amenizar essa explosão de sentimentos (prometo nunca mais citar Luan Santana na vida) de outra pessoa e fazer com que ela perceba se há ou não exagero em sua reação.

Mas contra o ciúme não há nada. Pois não importa quanta segurança você transmita, em algum momento sua guarda baixa e ele se infiltra. Nessa hora, o argumento mais lógico não faz o menor sentido ao enciumado: tratar mal por medo de perder só irá garantir que isso aconteça.

Parece lógico, concorda? Sendo o ciúme o medo da perda, as ações seguintes deveriam tentar evitar que isso aconteça. Em vez disso, metemos os pés pelas mãos na euforia do momento e quando vemos estamos fazendo mal a quem amamos.

E já que não é possível impedir seu avanço com a lógica, vou tentar encontrar razões para senti-lo. Mas, como sempre, falarei exclusivamente da minha visão leiga e dispensável sobre o assunto. Afinal, o sentimento de posse que acompanha o amor romântico pode ser cientificamente explicado por Regina Navarro com uma competência que eu jamais teria.

Dito isso, afirmo que não sou ciumento, mas tive e tenho meus momentos. Também já tive pelo menos dois namoros envenenados pelos ciúmes. Somando tudo isso e o benefício da “distância” de tais acontecimentos, percebi um padrão que me foi particular.

Quem desconfia quer confiar, e, para isso, exige uma sinceridade excessiva do outro. Esse excesso não diz respeito ao volume de informação, mas à interpretação feita pelo enciumado. Afinal, a sinceridade exige receptividade. Deve-se estar preparado para ouvir coisas que quebrarão a idealização que normalmente fazemos de quem nos apaixonamos. Pode parecer absurdo que ela ou ele tenha defeitos, mas tem, e graves. E já que a paixão aquece o coração, mas se apaga rapidamente, nessa hora relacionamentos acabam por, aparentemente, perderem a graça.

Mas e o amor? É tão frágil assim? Eu sei que dizemos “eu te amo” meio que sem pensar, mas o exercício de amar deve ir além disso. É aceitar que nos relacionamos com seres humanos como a gente, que erram sem querer errar, fraquejam tentando ser fortes, exageram por problemas menores e tentam nos dar força mesmo sendo tão frágeis. É mais difícil do que deveria, mas vale a pena.

A entrega entre duas (ou mais) pessoas com esse nível de comprometimento, cria uma relação única e eterna. A sensação é de ter alguém que não o complete, pois isso é impossível, mas que o complemente. Alguém com quem você sempre estará à vontade e que poderá te ajudar nos momentos mais inesperados. Tenho em minha vida pessoas que trato assim. Dentre amigos, ex-namoradas e familiares estão algumas por quem eu faria tudo. Como se tivesse uma dívida que nunca pudesse ser paga.

E nesse nível de intimidade, não há espaço para ciúmes. Porque há a certeza de que vocês nunca se perderão. Podem se afastar, podem seguir outros caminhos, mas reencontros virão e mais do que coincidências parecerão.

Tampouco haverá espaço para mentiras, pois existirá um esforço para decifrar o que tentar dizer. Afinal, a ofensa não é esperada quando há cumplicidade.

Sei que parece exagero essa minha visão romântica. Talvez por ser, de fato. Mas muitos passam a vida inteira procurando a felicidade. A minha busca é só um pouco mais específica.